domingo, 15 de fevereiro de 2015



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FORNECEDORES PARALISAM 

SERVIÇOS À PETROBRÁS 

A companhia norueguesa Seadrill anunciou que não contará mais com as receitas integrais de duas plataformas alugadas à Petrobrás por US$ 1,28 milhão por dia e que gerariam receita de US$ 1,1 bilhão, porque não espera que a companhia cumpra os termos de acordos firmados entre as duas empresas.
Por causa disso, as ações da Seadrill recuaram 5,38 na NYSE e 9,63% na Bolsa de Oslo, Noruega.
Ao mesmo tempo, a crise da Petrobrás atinge a construção naval brasileira, com paralização de estaleiros e demissão de mão-de-obra qualificada. Destaque para o estaleiro Enseada, na Bahia, que mandou mais de 3 mil trabalhadores embora, por causa da interrupção de pagamentos por parte da Sete Brasil, que gerencia a construção de sondas para a companhia.
O relacionamento com outros fornecedores pode ser afetado por essa decisão da Seadrill e pelos problemas vividos pela Sete Brasil.
Para avaliar a dimensão do problema, a situação da Petrobrás, divulgada em seu relatório de administração de 2013 (último já produzido) mostra que:

  • A Petrobrás tinha cerca de 600 fornecedores de porte, além dos milhares de pequenos, dos quais mais da metade precisa de financiamentos. Para isso existe um programa chamado Progredir. O programa facilita a antecipação de faturas a essas empresas. Em 2013, cerca de 320 empresas recorreram a este programa, com financiamentos da ordem de R$ 2,7 bilhões;
  • A Braskem, empresa onde a Petrobrás participa acionariamente com 36% do capital, e que faturou R$ 46 bilhões em 2013, se abastece de nafta para o setor petroquímico. Na Petrobrás, tinha um FDIC especial, com patrimônio da ordem de R$ 1,5 bilhão, e o presidente Carlos Fadiga disse recentemente aos jornais que ele estará comprando nafta sem saber quanto custa, e em quanto isso impacta o seu resultado. Com esta crise da Petrobrás, ele não tem ao menos um interlocutor com quem resolver seus negócios. A Braskem é a maior consumidora de nafta do Brasil.
  • Em 2013, os FIDCs anteciparam mais de R$ 574,7 milhões aos fornecedores, beneficiando 294 empresas por meio de 2.428 operações. Desde 2010, os FIDCs anteciparam R$ 4,46 bilhões, atendendo a 443 empresas em 4.111 operações.·        
  • Em 2013 cerca de 400 empresas anteciparam em torno de 5.000 faturas contra a Petrobrás, em valores que chegaram à casa dos bilhões.         

NB: O comunicado da Seadrill pode ser lido na íntegra em 


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